
Não sei como explicar direito, mas em menos de duas horas atrás eu estava tranquilamente bem, respirava bem, transpirava normalmente, ria das coisas fúteis, pensava e desenvolvia exercícios de física, cantarolava comigo mesmo. Como um raio, tudo mudou. Um frio na barriga infernal se instalou em mim, uma dor de cabeça cheia de agulhadas, o cansaço no corpo todo, a falta de ar, a dor no peito, o medo.
Nesse último mês, que tudo o que pensava e agia mudou, as coisas fluiram de uma forma estranha, as vezes tenho a nítida sensação de que não sou eu quem fala, não sou eu quem respira, não sou eu quem anda, não sou eu quem pensa. É tenso dizer isso, por mais que tente pesar o contrário, não consigo.
Comecei esses dias atrás a rever tudo o que eu faço, tudo o que eu penso e cheguei a conclusão de que vivo pela metade. Apesar disso ainda consigo conciliar uma vida tumultuada e cheia de reviravoltas. Não é fácil pra mim ser um desenhista/projetista, músico, engenheiro, conselheiro e médium. Acho muita coisa pra um cara que tem apenas 20 anos e as vezes não tem tempo nem de fazer a barba direito. Mas também digo que não saberia deixar nada de lado, é a forma com que me completo, é a maneira de me sentir bem. Ainda falta pra mim, e sei que não vai demorar, encontrar uma pessoa que possa ser a minha outra metade.
Desabafar em um canto da imensidão da internet é o que me sobra, já que tempo pra ver meus amigos tenho pouco, e quando vejo eles, curto ficar em silencio e aproveitando o momento, nem sempre sabemos o que vem depois. Queria poder dizer pra todos o que se passa aqui dentro de mim agora, mas infelizmente nem eu sei.
Mais uma vez digo que minha vida de drogado espiritual não esta fácil. Mas também quero dizer que não vou desistir, eu devo, eu preciso, eu quero, eu vou, aconteça o que acontecer, cumprir a minha missão.
A árvore da vida vai crescendo, dando frutos, caindo folhas, quebrando galhos, nascendo brotos, mas nunca perde a sua raíz. O tempo passa e agente aprende que a vida não é a utopia dos livros infantis, que o bem sempre predomina, mas agente também aprende que é você quem escreve a sua história.

